quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Gran Cirquito



Este é o nosso primeiro relato do processo de pesquisa e criação de um espetáculo teatral de rua, este processo de montagem é conduzido pelos atores Alinne Souzza e Jhonny Russel.


Gran Cirquito


Depoimento: Jhonny Russel

Ator e diretor

Palavras chave: relatoscirquito






Depois de algum tempo (bastante tempo mesmo) em que só não caí no completo ostracismo por que conversei bastante com um monte de gente, li e escrevi muito (Mas estar na cena que é bom, nada!). Decidi-me por uma nova montagem.




Depois da não estréia do “Me segura senão eu caio” e “Quatro no palco”, parei para pensar em algumas coisas que eu vinha com vontade de realizar e que até tentei exercitar com o “Me segura senão eu caio”, mas acabou não acontecendo


.

Minha idéia desde sempre é trabalhar com teatro de rua (sempre fiz assim) e nesse trabalho, emprestar coisas do circo. Isso aconteceu com “Um alto de natal”, espetáculo que inaugurou uma nova e ultima fase da extinta Cia Tenetehara e também aconteceu com “O circo da minha infância” espetáculo para o qual fui convidado a dirigir os momentos de acrobacia, equilibrismo e malabarismos dentro do espetáculo. Mas em outro momento falarei com mais calma e com mais detalhes de cada uma destes espetáculos.



Bom, a idéia é pesquisar reprises de circo a experimentá-las na rua. Chamei Alinne (fora eu, a ultima integrante da trupe Nós os pernaltas. Era um grupo de quase 20 pessoas, estamos brincando que é a famosa seleção natural em que só os fortes sobrevivem) e em uma reunião no anfiteatro da Praça da Republica, começamos a falar do espetáculo, levei uma proposta de roteiro para os números, Alinne fez alguns acréscimos e já na mesma semana começamos a ensaiar (Uns dias depois assistindo a I Clown, do Fellini, tive a idéia para o nome do espetáculo: Gran Cirquito) e vou contar uma coisa; é muito foda ensaiar na rua, fora a toda questão da insegurança e violência tem as questões climáticas, muitas vezes fomos para o anfiteatro da praça e voltamos sem ensaiar por que a chuva não deixou. Mas enfim, eu sei disso e não é de hoje e já é ate ritualística esta minha reclamação.



Nosso esquema de ensaio é o seguinte; três ou mais dias durante a semana, sempre a noite uma vez que temos empregos e não são na área de teatro, e um ensaio geral no sábado pela manhã. Pois bem, ensaiamos três entradas, e no domingo dia 17 de janeiro de 2010 já experimentamos na rua.


Eu fiz um exercício parecido com este; ensaiei um numero e fui pra praça no domingo anterior dia 10/01/2010. O publico acolheu bem esta minha experimentação, mas fora o fato de não ser ainda um espetáculo, ficou uma impressão de que faltava algo. No domingo dia 17/01/10, a coisa foi mais completa.


Marcamos de chegar à praça às 09h e tentar nos apresentar às 10h. Um detalhe muito importante é que não fomos à SEMMA (Secretaria municipal de meio ambiente) dar entrada a um pedido para uso do anfiteatro, juntamente com um oficio que explique a ação que ocorrerá na naquele lugar (e pagamente de uma taxa caso aconteça de quereres usar fonte de energia) Isso poderia nos causar algum transtorno, uma vez que a guarda municipal daqui é um tanto despreparada e nem sempre entende as manifestação artísticas e ou culturais da cidade.


Cheguei as 09h30, isso aconteceu por que eu levei minha filha Musa, minha mochila, um par de pernas- de - pau e um tarol, ou caixa de repique, além de eu ter ido de ônibus.


Quando se está nessa situação, clandestina... Ou seja, sem “autorização” (e precisa?) para se apresentar na praça, o que se faz ao chegar ao anfiteatro e ver se acontece algum evento e então conversar com a direção para quem sabe ser incluído nessa programação, caso não haja esta possibilidade as opções são: ir para casa ou apresentar-se em outro espaço da praça. Por sorte nenhum evento acontecia no anfiteatro e daí o passo seguinte é limpar o espaço onde o público se vai reunir.


Feito isso, é nos maquiar e começar.

Como eu já disse, ensaiamos três reprises, cada palhaço faria uma reprise sozinho e a ultima faríamos juntos.


A Alinne estava muito nervosa, ela tem pouca experiência com teatro e para piorar (piorar?) sua mãe resolveu ir assisti-la. Ela tava mesmo com medo e me perguntou três vezes se eu não queria tirar o número que ela faria só. Eu disse que nem pensar! Já foi ensaiado, gastamos dinheiro e mais precioso ainda, nosso tempo e energia fazendo aquilo, não seria justo com ninguém, nem com ela desistir assim sem falar em perder a oportunidade de vivenciar ali um monte de coisas boas”.


Bem, o medo não passou mais mesmo assim ela resolveu fazer a apresentação, eu acho que muito mais por mim, por ela, não se teria feito aquele exercício.

Maquiamos, colocamos os figurinos e entraram em cena os palhaços Bufo Estapafúrdio e Ossinho.

Os números pensados correram bem, é preciso afinar o tempo de algumas “piadas” principalmente se afinar com público que recebeu bem o que ali lhe fora apresentado.


Precisamos escolher algumas músicas para tocar na chegada e na saída do exercício. Surgiu a idéia de termos uma trilha original, é preciso definir isso também. Quando o roteiro e história estiverem mais “amarrados”, postarei aqui para que vejam.


Continuaremos a fazer estas entradas e acrescentaremos mais algumas a serem experimentadas, isso ao tempo que vamos definindo o argumento e roteiro para o espetáculo que já começa a se desenhar.


  • Na semana quem vem, pensamos em fazer duas seções: Uma às 10h e outra ao meio dia.


  • Para resolver o problema da chuva, já entrei em contato com a casa da linguagem e solicitei espaço para ensaiarmos.


  • Tem uma coisa que me preocupa: Produção... Não temos nenhum puto no bolso, mas temos algumas idéias.


Finalizando: Eu gostei muito do exercício; de ir pra rua, de experimentar uma coisa nova, colocar nossos palhaços cara a cara com o público e pensar um novo espetáculo.



Apesar do medo, Ossinho se saiu muito bem e foi clara a empatia com o publico, acho que a partir de então, ela já estará mais tranqüila. O Bufo também se saiu bem.


Uma coisa é preciso dizer; Alinne tem pouca experiência (isso é bom) e eu estou absolutamente cheio de ‘vícios’(já isso...) e ambos estamos extremamente despreparados fisicamente, mas ambos estamos muito a fim de fazer este espetáculo.




O próximo relato vai falar do nosso treinamento.


Até mais.

Jhonny Russel



PS. Hoje é aniversário da Alinne.


Parabéns minha flor, bjos.





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