Gran Cirquito
Depoimento: Alinne Souzza
Atriz
Palavras chave: relatoscirquito
Fotos: Brenda Reis
Os ensaios estavam marcados para a semana de
de, na Pç da Republica, local de apresentação. Contudo, como estamos nos período onde “chove mais” aqui em Belém, na prática, só ensaiamos no sábado, pela manhã.
Durante a semana nos encontramos para pesquisar esquetes de circos e roteirizar o que faríamos no domingo, além de comprarmos alguns materiais para os numero. Na sexta-feira escolhemos 3 números: o do ‘balde e a moeda’, para o Jhonny, o da ‘orquestra, pra mim, e o do ‘apito’ para os dois.
O ensaio de sábado começou bem, decidimos que cantaríamos a musica ‘O Circo’ na abertura, Jhonny ficaria com o tambor e eu com o agogô. Jhonny e eu não somos muito bom em ritmo, o que nos deu um bom teste de paciência ate acertar direitinho a musica, que ficou bem legal. Em seguida, o Jhonny passou o numero do ‘balde e da moeda’, algumas modificações foram feitas em virtude da pesquisa que fizemos dias antes. Gosto desse número, é bom e simples, mas não é fácil, exige percepção de publico e uma expressão corporal muito boa.
Após isso começamos a ensaiar o numero da ‘orquestra’. Não sei por que, mas eu estava nervosa e pensando demais, parava e repetia varias vezes, o que irritou o Jhonny. Em especial quando eu disse que não sabia o que fazer. Descobri que tenho um grave problema quando não tenho um texto certo pra dizer quando to sozinha no palco. Eu tenho tudo arquitetado na minha cabeça, mas quando vou falar eu desarrumo tudo e pra mim fica horrível. Daí eu tenho que parar e escrever, o que irrita o Jhonny. “É isso mesmo, por que você parou? Tem alguém de fora pra dizer se está bom ou não: eu!” Mas é um numero com música e eu não sei tocar nem apito! Isso rendeu alguns minutos de stress. Roteirizamos o número outra vez e passamos só essa parte falada, por que estávamos sem o tambor, o que impedia de passar o som. Fiquei muito apreensiva com esse numero e confesso que não queria faze-lo.
Depois passamos o numero dos apitos, e que descontraiu os dois. Ao menos o clima chato causado anteriormente diminuiu. Essa parte ficou bem legal. Usamos o apito e a flauta, que eu fiquei de tocar. Apesar de não saber como, me senti a vontade com o instrumento. Era bem mais simples que o tambor do numero acima. Céus! Esse saiu legal e rapidinho.
Após os ensaios individuais passamos tudo outra vez e ficamos de voltar a tarde, isso se não chovesse, claro!
No domingo a praça estava calma cheia de crianças, acho que mais do que o normal. Ate o clima era agradável. Eu suava de nervosismo. Chegamos no horário. Marcamos território. E começamos com os preparativos. Jhonny varreu o espaço do anfiteatro que tava cheio de papel celofane, como se tivesse tido uma apresentação ali anteriormente. Vale explicar que no sábado, quando ensaiamos, o anfiteatro já estava sujo e que não houve limpeza alguma. Após começamos com a roupa e a maquiagem.
Nesse período eu suava de nervosismo. Era a minha primeira apresentação na praça e com um numero só meu. Eu não sabia nem que maquiagem eu iria fazer. “Faz a de sempre, Alinne! E fica calma!” Hum, o Jhonny falava isso como se meu estomago fosse entender alguma coisa. Eu queria sair dali. Na verdade eu queria tirar o numero da orquestra de qualquer jeito. Mas já tava lá! No aquecimento pra subir na perna de pau eu falei que queria tirar esse número, mas não teve lá muito acordo com o Jhonny. Eu definitivamente, tremia!
Os números todos aconteceram. O do Jhonny teve uma ótima recepção do publico. O número da orquestra ficou chato e das duas, uma: ou eu modifico ele inteiro e aprendo a tocar, ou ele sai do espetáculo final. O ultimo, com os apitos, foi muito bem recebido também, mas precisamos marcar o tempo exato das ações e comprar apitos novos e bons, senão o Jhonny vai fazer coco apitando de tanta bolinha que ele engoliu (pode tirar essa parte).
Minha avaliação pessoal é que o Jhonny foi muito bem nesse experimento, tirando o acerto do tempo de algumas ações. E quanto a mim, eu não sei se pelo nervosismo, mas não gostei de nada: nem minha voz de palhaço, que tanto gosto, ficou legal. Pela primeira vez, em uma apresentação, não me senti bem depois, e acho que nem o Jhonny gostou do meu resultado.
Essa semana, ensaiaremos mais. Estamos tentando a Casa da Linguagem para fugir da chuva, espaço coberto, seguro, e muito legal pra ensaiar. No sábado faríamos o ensaio na praça. No mais...até domingo que vem.
Alinne Souzza