quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Gran Cirquito


Gran Cirquito


Depoimento: Alinne Souzza

Atriz

Palavras chave: relatoscirquito

Fotos: Brenda Reis


Os ensaios estavam marcados para a semana de 11 a 16/01/2010, pela parte da tar

de, na Pç da Republica, local de apresentação. Contudo, como estamos nos período onde “chove mais” aqui em Belém, na prática, só ensaiamos no sábado, pela manhã.


Durante a semana nos encontramos para pesquisar esquetes de circos e roteirizar o que faríamos no domingo, além de comprarmos alguns materiais para os numero. Na sexta-feira escolhemos 3 números: o do ‘balde e a moeda’, para o Jhonny, o da ‘orquestra, pra mim, e o do ‘apito’ para os dois.


O ensaio de sábado começou bem, decidimos que cantaríamos a musica ‘O Circo’ na abertura, Jhonny ficaria com o tambor e eu com o agogô. Jhonny e eu não somos muito bom em ritmo, o que nos deu um bom teste de paciência ate acertar direitinho a musica, que ficou bem legal. Em seguida, o Jhonny passou o numero do ‘balde e da moeda’, algumas modificações foram feitas em virtude da pesquisa que fizemos dias antes. Gosto desse número, é bom e simples, mas não é fácil, exige percepção de publico e uma expressão corporal muito boa.



Após isso começamos a ensaiar o numero da ‘orquestra’. Não sei por que, mas eu estava nervosa e pensando demais, parava e repetia varias vezes, o que irritou o Jhonny. Em especial quando eu disse que não sabia o que fazer. Descobri que tenho um grave problema quando não tenho um texto certo pra dizer quando to sozinha no palco. Eu tenho tudo arquitetado na minha cabeça, mas quando vou falar eu desarrumo tudo e pra mim fica horrível. Daí eu tenho que parar e escrever, o que irrita o Jhonny. “É isso mesmo, por que você parou? Tem alguém de fora pra dizer se está bom ou não: eu!” Mas é um numero com música e eu não sei tocar nem apito! Isso rendeu alguns minutos de stress. Roteirizamos o número outra vez e passamos só essa parte falada, por que estávamos sem o tambor, o que impedia de passar o som. Fiquei muito apreensiva com esse numero e confesso que não queria faze-lo.


Depois passamos o numero dos apitos, e que descontraiu os dois. Ao menos o clima chato causado anteriormente diminuiu. Essa parte ficou bem legal. Usamos o apito e a flauta, que eu fiquei de tocar. Apesar de não saber como, me senti a vontade com o instrumento. Era bem mais simples que o tambor do numero acima. Céus! Esse saiu legal e rapidinho.



Após os ensaios individuais passamos tudo outra vez e ficamos de voltar a tarde, isso se não chovesse, claro!



No domingo a praça estava calma cheia de crianças, acho que mais do que o normal. Ate o clima era agradável. Eu suava de nervosismo. Chegamos no horário. Marcamos território. E começamos com os preparativos. Jhonny varreu o espaço do anfiteatro que tava cheio de papel celofane, como se tivesse tido uma apresentação ali anteriormente. Vale explicar que no sábado, quando ensaiamos, o anfiteatro já estava sujo e que não houve limpeza alguma. Após começamos com a roupa e a maquiagem.


Nesse período eu suava de nervosismo. Era a minha primeira apresentação na praça e com um numero só meu. Eu não sabia nem que maquiagem eu iria fazer. “Faz a de sempre, Alinne! E fica calma!” Hum, o Jhonny falava isso como se meu estomago fosse entender alguma coisa. Eu queria sair dali. Na verdade eu queria tirar o numero da orquestra de qualquer jeito. Mas já tava lá! No aquecimento pra subir na perna de pau eu falei que queria tirar esse número, mas não teve lá muito acordo com o Jhonny. Eu definitivamente, tremia!



Os números todos aconteceram. O do Jhonny teve uma ótima recepção do publico. O número da orquestra ficou chato e das duas, uma: ou eu modifico ele inteiro e aprendo a tocar, ou ele sai do espetáculo final. O ultimo, com os apitos, foi muito bem recebido também, mas precisamos marcar o tempo exato das ações e comprar apitos novos e bons, senão o Jhonny vai fazer coco apitando de tanta bolinha que ele engoliu (pode tirar essa parte).


Minha avaliação pessoal é que o Jhonny foi muito bem nesse experimento, tirando o acerto do tempo de algumas ações. E quanto a mim, eu não sei se pelo nervosismo, mas não gostei de nada: nem minha voz de palhaço, que tanto gosto, ficou legal. Pela primeira vez, em uma apresentação, não me senti bem depois, e acho que nem o Jhonny gostou do meu resultado.



Essa semana, ensaiaremos mais. Estamos tentando a Casa da Linguagem para fugir da chuva, espaço coberto, seguro, e muito legal pra ensaiar. No sábado faríamos o ensaio na praça. No mais...até domingo que vem.



Alinne Souzza






Gran Cirquito



Este é o nosso primeiro relato do processo de pesquisa e criação de um espetáculo teatral de rua, este processo de montagem é conduzido pelos atores Alinne Souzza e Jhonny Russel.


Gran Cirquito


Depoimento: Jhonny Russel

Ator e diretor

Palavras chave: relatoscirquito






Depois de algum tempo (bastante tempo mesmo) em que só não caí no completo ostracismo por que conversei bastante com um monte de gente, li e escrevi muito (Mas estar na cena que é bom, nada!). Decidi-me por uma nova montagem.




Depois da não estréia do “Me segura senão eu caio” e “Quatro no palco”, parei para pensar em algumas coisas que eu vinha com vontade de realizar e que até tentei exercitar com o “Me segura senão eu caio”, mas acabou não acontecendo


.

Minha idéia desde sempre é trabalhar com teatro de rua (sempre fiz assim) e nesse trabalho, emprestar coisas do circo. Isso aconteceu com “Um alto de natal”, espetáculo que inaugurou uma nova e ultima fase da extinta Cia Tenetehara e também aconteceu com “O circo da minha infância” espetáculo para o qual fui convidado a dirigir os momentos de acrobacia, equilibrismo e malabarismos dentro do espetáculo. Mas em outro momento falarei com mais calma e com mais detalhes de cada uma destes espetáculos.



Bom, a idéia é pesquisar reprises de circo a experimentá-las na rua. Chamei Alinne (fora eu, a ultima integrante da trupe Nós os pernaltas. Era um grupo de quase 20 pessoas, estamos brincando que é a famosa seleção natural em que só os fortes sobrevivem) e em uma reunião no anfiteatro da Praça da Republica, começamos a falar do espetáculo, levei uma proposta de roteiro para os números, Alinne fez alguns acréscimos e já na mesma semana começamos a ensaiar (Uns dias depois assistindo a I Clown, do Fellini, tive a idéia para o nome do espetáculo: Gran Cirquito) e vou contar uma coisa; é muito foda ensaiar na rua, fora a toda questão da insegurança e violência tem as questões climáticas, muitas vezes fomos para o anfiteatro da praça e voltamos sem ensaiar por que a chuva não deixou. Mas enfim, eu sei disso e não é de hoje e já é ate ritualística esta minha reclamação.



Nosso esquema de ensaio é o seguinte; três ou mais dias durante a semana, sempre a noite uma vez que temos empregos e não são na área de teatro, e um ensaio geral no sábado pela manhã. Pois bem, ensaiamos três entradas, e no domingo dia 17 de janeiro de 2010 já experimentamos na rua.


Eu fiz um exercício parecido com este; ensaiei um numero e fui pra praça no domingo anterior dia 10/01/2010. O publico acolheu bem esta minha experimentação, mas fora o fato de não ser ainda um espetáculo, ficou uma impressão de que faltava algo. No domingo dia 17/01/10, a coisa foi mais completa.


Marcamos de chegar à praça às 09h e tentar nos apresentar às 10h. Um detalhe muito importante é que não fomos à SEMMA (Secretaria municipal de meio ambiente) dar entrada a um pedido para uso do anfiteatro, juntamente com um oficio que explique a ação que ocorrerá na naquele lugar (e pagamente de uma taxa caso aconteça de quereres usar fonte de energia) Isso poderia nos causar algum transtorno, uma vez que a guarda municipal daqui é um tanto despreparada e nem sempre entende as manifestação artísticas e ou culturais da cidade.


Cheguei as 09h30, isso aconteceu por que eu levei minha filha Musa, minha mochila, um par de pernas- de - pau e um tarol, ou caixa de repique, além de eu ter ido de ônibus.


Quando se está nessa situação, clandestina... Ou seja, sem “autorização” (e precisa?) para se apresentar na praça, o que se faz ao chegar ao anfiteatro e ver se acontece algum evento e então conversar com a direção para quem sabe ser incluído nessa programação, caso não haja esta possibilidade as opções são: ir para casa ou apresentar-se em outro espaço da praça. Por sorte nenhum evento acontecia no anfiteatro e daí o passo seguinte é limpar o espaço onde o público se vai reunir.


Feito isso, é nos maquiar e começar.

Como eu já disse, ensaiamos três reprises, cada palhaço faria uma reprise sozinho e a ultima faríamos juntos.


A Alinne estava muito nervosa, ela tem pouca experiência com teatro e para piorar (piorar?) sua mãe resolveu ir assisti-la. Ela tava mesmo com medo e me perguntou três vezes se eu não queria tirar o número que ela faria só. Eu disse que nem pensar! Já foi ensaiado, gastamos dinheiro e mais precioso ainda, nosso tempo e energia fazendo aquilo, não seria justo com ninguém, nem com ela desistir assim sem falar em perder a oportunidade de vivenciar ali um monte de coisas boas”.


Bem, o medo não passou mais mesmo assim ela resolveu fazer a apresentação, eu acho que muito mais por mim, por ela, não se teria feito aquele exercício.

Maquiamos, colocamos os figurinos e entraram em cena os palhaços Bufo Estapafúrdio e Ossinho.

Os números pensados correram bem, é preciso afinar o tempo de algumas “piadas” principalmente se afinar com público que recebeu bem o que ali lhe fora apresentado.


Precisamos escolher algumas músicas para tocar na chegada e na saída do exercício. Surgiu a idéia de termos uma trilha original, é preciso definir isso também. Quando o roteiro e história estiverem mais “amarrados”, postarei aqui para que vejam.


Continuaremos a fazer estas entradas e acrescentaremos mais algumas a serem experimentadas, isso ao tempo que vamos definindo o argumento e roteiro para o espetáculo que já começa a se desenhar.


  • Na semana quem vem, pensamos em fazer duas seções: Uma às 10h e outra ao meio dia.


  • Para resolver o problema da chuva, já entrei em contato com a casa da linguagem e solicitei espaço para ensaiarmos.


  • Tem uma coisa que me preocupa: Produção... Não temos nenhum puto no bolso, mas temos algumas idéias.


Finalizando: Eu gostei muito do exercício; de ir pra rua, de experimentar uma coisa nova, colocar nossos palhaços cara a cara com o público e pensar um novo espetáculo.



Apesar do medo, Ossinho se saiu muito bem e foi clara a empatia com o publico, acho que a partir de então, ela já estará mais tranqüila. O Bufo também se saiu bem.


Uma coisa é preciso dizer; Alinne tem pouca experiência (isso é bom) e eu estou absolutamente cheio de ‘vícios’(já isso...) e ambos estamos extremamente despreparados fisicamente, mas ambos estamos muito a fim de fazer este espetáculo.




O próximo relato vai falar do nosso treinamento.


Até mais.

Jhonny Russel



PS. Hoje é aniversário da Alinne.


Parabéns minha flor, bjos.